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Situação das aves comuns na Europa

Os últimos dados das aves comuns da Europa, compilados pelo Esquema de Monitorização Pan-Europeu de Aves Comuns (PECBMS), revelam um declínio continuado das espécies associadas a habitats agrícolas. Enquanto as aves comuns florestais estão numa situação mais ou menos estável nos últimos 10 a 15 anos, as espécies associadas a habitat agrícola sofreram um acentuado declínio de 55% desde 1980.

Indicador das aves comuns associadas a habitats agrícolas, actualização de 2017

Entre as 39 espécies características de habitats agrícolas na Europa, 24 regrediram, 6 aumentaram, 6 têm tendência estável e 3 têm tendência incerta. Várias espécies, anteriormente comuns, como a laverca (Alauda arvensis) e o abibe (Vanellus vanellus), sofreram um declínio, tornando-se menos comuns em habitats agrícolas. Pelo lado positivo, a cegonha-branca (Ciconia ciconia) aumentaram 66%.
Os números de cegonha-branca estão a aumentar.

Citando Iván Ramírez, Coordenador de Conservação da Birdlife Europa & Ásia, as aves comuns associadas a habitats agrícolas são actualmente um dos grupos aves mais ameaçados na Europa. A intensificação da agricultura é o factor por trás das tendências decrescentes destas espécies na últimas 3 décadas. A drenagem de zonas húmidas, uso de agro-químicos e implementação de monoculturas ao invés de culturas mistas são apenas alguns exemplos da intensificação da agricultura e de quão negativos são os seus efeitos nestas espécies de aves.

Entre as 34 espécies comuns de habitats florestais, 12 têm tendência crescente, 13 estão em declínio e 9 têm tendência estável a longo-prazo. Contudo, as diferenças verificas nas tendências entre regiões sugere que indicador das aves comuns florestais está sujeito a variação regional. Esta questão será avaliada num futuro próximo pelo PECBMS para identificar dados que possibilitem uma melhor interpretação dos indicadores para aves florestais.

No total forma 28 os países a fornecer os dados de monitorização para a actualização de 2017 dos indicadores das aves selvagens Europeias, calculados pelo PECBMS, uma iniciativa conjunto do Concelho Europeu de Censos de Aves (EBCC) e Bildlife International. As aves são um dos melhores indicadores para avalivar a saúde dos ecossistemas, e as figuras agora publicadas podem ser usadas para empafitizar a necessidade de medidas políticas para conservar a biodiversidade da Europa.

A SPEA também contribui para o PECBMS. Os dados de Portugal são provenientes do Censos de Aves Comuns (CAC), um trabalho voluntário desenvolvido por cerca de algumas dezenas de sócios e colaboradores da SPEA. O nosso agradecimento aos participantes no CAC, com o seu trabalho contribuem para a avaliação do estada das populações de aves em toda a Europa.

Foto: Cegonha-branca, João Ruivo